As obras de arte especiais estão submetidas a ações externas provenientes de cargas móveis de veículos, ações naturais como forças de ventos e chuvas, ação das águas de rios que incidem na mesoestrutura e infraestrutura das obras, variações de temperatura, retração e fluência no caso do concreto.
A degradação das estruturas das pontes e viadutos está vinculada a questões como: idade, uso a qual foi projetada, exposição ao meio onde está inserida e falta de atividades de manutenção. Estas últimas são definidas por meio de vistorias rotineiras especiais e têm a finalidade de conservar os aspectos estruturais, de durabilidade e funcionalidade das obras.
De acordo com as normas e procedimentos de inspeções definidos pelo DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, as inspeções em obras de arte especiais podem ser classificadas em: cadastral, rotineira, intermediária, extraordinária e especial.
As vistorias cadastrais objetivam cadastrar a estrutura, atualizando a situação/nota em que a obra se encontra, sob os aspectos estruturais, funcionais e de durabilidade, com levantamento de toda a documentação da obra e de todas as anomalias existentes. Também devem ser feitas quando há uma alteração na geometria da obra, como acréscimo de comprimentos, alargamentos, reforços ou mudanças no sistema estrutural (Artesp, 2007).
Nestas inspeções são realizados: registros de identificação das obras, com histórico contendo todas as ocorrências, datas e localização; levantamentos fotográficos e descritivos da superestrutura, mesoestrutura e infraestrutura, indicando as dimensões, detalhes construtivos e tipologia estrutural; são registradas também as anomalias observadas para posterior caracterização da urgência de atividades de manutenção.
As vistorias rotineiras visam acompanhar o estado de conservação e detectar eventuais anomalias existentes ou que venham a surgir, dando subsídios em tempo hábil ao planejamento dos trabalhos de inspeções especiais, cuja função é diagnosticar de maneira mais precisa as patologias existentes, apresentando os tipos de terapias que as atividades de manutenção devem realizar. As vistorias rotineiras devem ser visuais, realizadas à distância, a partir do terreno, do nível d`água ou sobre o tabuleiro. Esse tipo de vistoria permite apenas a visualização superficial dos danos existentes na obra, não sendo possível algumas vezes identificar com clareza o seu real estado de conservação.
As vistorias especiais são realizadas com base nas inspeções rotineiras e, em alguns casos particulares, nas cadastrais quando forem objetos de intervenções de curto prazo ou se houver situações acidentais que exijam um parecer sobre a segurança estrutural da obra. Devem ser efetuadas por engenheiro especialista, com mapeamento completo das anomalias, apresentando o diagnóstico e as terapias a serem realizadas. Para averiguação e mapeamento detalhado das anomalias em locais de difícil acesso, deverão ser utilizados meios e equipamentos que permitam a aproximação aos locais inspecionados da estrutura. Podem ser utilizados nestes casos: escadas telescópicas, andaimes tubulares, caminhões com plataforma, caminhões dotados de dispositivos hidráulicos especiais, treliças móveis, guindastes, escada tipo marinheiro, barcos ou flutuantes e barcos dotados de dispositivos para investigações subaquáticas.
Um dos locais onde as anomalias são detectadas com muita frequência durante os trabalhos de vistorias nas obras de arte especiais são as juntas de dilatação – separações (fendas) entre partes da superestrutura, que permitem a movimentação do tabuleiro decorrente da variação térmica ou pela frenagem de veículos. As principais anomalias nas juntas podem ser: ausência do perfil de vedação, falta de estanqueidade, saliência ou depressão causando desconforto ao usuário ou impacto na obra, deterioração dos lábios poliméricos, deterioração dos berços, acúmulo de detritos e vegetação, ocorrência de agentes agressivos, perfil elastomérico com descolamento, rasgos, ressecamento ou esmagamento e abertura excessiva. As juntas de dilatação, quando não funcionam adequadamente, podem gerar danos e consequentemente redução de tempo de vida útil das estruturas.